quinta-feira, maio 15, 2008

É bom lembrar...

43% das estatísticas não servem para nada.

terça-feira, maio 13, 2008

Corromper um árbitro é uma espécie de amor

Este texto, assinado pelo sempre brilhante João Miguel Tavares, foi publicado hoje no Diário de Notícias e refere-se aos vários processos da corrupção no futebol português. Imperdível.

Os clubes têm-se profissionalizado, a Liga está a fazer um esforço de transparência - mas para o futebol português a civilização ainda é um lugar distante. E por isso, toda a gente acaba por atribuir uma espécie de "desconto moral" a quem se move no mundo da bola, aceitando-se um bocadinho menos de honestidade e um bocadinho mais de baixaria. Só assim se explica que Jorge Nuno Pinto da Costa tenha sido considerado culpado de actos de corrupção pela Comissão Disciplinar da Liga de Clubes mas ninguém se tenha atrevido a questionar a sua continuidade à frente da SAD do FC Porto. Sabe-se que durante dois anos não se vai poder sentar no banco da equipa nem assinar contratos, mas propor a demissão de sua santidade para preservar a imagem do Porto seria sacrilégio digno de lapidação na praça pública.

O DN ouviu na quinta-feira Guilherme Aguiar sobre o papel que Pinto da Costa pode vir a desempenhar na SAD, e o ex-dirigente do FC Porto foi claríssimo: "Esta é uma suspensão de actividade igual às que se destinam aos jogadores quando são suspensos por um ou dois jogos. Não podem jogar, mas podem treinar." E quanto aos 50 mil euros que ele recebe mensalmente? É para pagar: "Os jogadores também continuam a receber." Ora aqui está uma bela comparação. Para Guilherme Aguiar, corromper um árbitro é assim como enfiar uma canelada num adversário, ir para a rua, e ficar uns jogos de fora. Um acidente de percurso, portanto. Uma entrada violenta, no máximo. Coisas do futebol.

Suponho que a maior parte dos sócios do Porto considere uma de duas coisas. 1) Que tudo isto não passa de uma cabala contra o líder dos dragões patrocinada pelo Benfica. 2) Que as actividades ilícitas do seu presidente são apenas mais uma manifestação de inabalável portismo. Afinal, Pinto da Costa e o FC Porto confundem-se numa história de inegável sucesso desportivo. Mas a complacência com a corrupção é um espinho que infecta todo o futebol português. A verdade é que ninguém realmente acredita que a viciação de resultados tenha começado na época de 2003/2004. Aliás, pagar para ajudar o Porto em 2004 - para quem não se recorda, a época áurea de José Mourinho, que acabou com a conquista da Taça dos Campeões - é tão absurdo quanto Francis Obikwelu subornar um coxo para lhe conseguir ganhar numa corrida de 100 metros. Simplesmente, quando é longa e vasta a tradição de trafulhice, os maus hábitos custam a morrer. E nesse singular ecossistema chamado futebol, ainda há quem ache que corromper é apenas uma forma - um pouco atrevida, vá lá - de manifestar o amor a um clube. Em vez de se enrolar um cachecol ao pescoço de um adepto, enrola-se uma prostituta ao pescoço de um árbitro. Faz alguma diferença? Se Pinto da Costa se mantiver à frente do FC Porto é porque, lá no fundo, no fundo, não faz.

terça-feira, maio 06, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

segunda-feira, março 24, 2008

Para compreender melhor a crise do Subprime

Sendo eu um leigo em Economia, é sempre bom quando alguém resume as evoluções macroeconómicas actuais de forma simples. E nenhum problema económico é tão actual como a crise do Subprime, que afecta não só as famílias americanas como as famílias do resto do mundo, como explicam no Diário de Notícias:

Como é que a decisão da família Smith de comprar uma casa, no interior dos EUA, com recurso ao crédito, afecta a vida da família Santos, em Lisboa, que acabou de colocar todas as suas poupanças num fundo de acções com taxas de rentabilidade de dois dígitos?

Tudo começou no final da década de 90. As famílias de baixo rendimento nos EUA perceberam que era possível comprar casa pela primeira vez, tendo em conta os baixos preços das habitações, na sequência do boom imobiliário do início da década. Para responder a essa ambição, as empresas de crédito especializado - sem paralelo no sistema financeiro europeu - disponibilizaram empréstimos com juros baixos nos primeiros anos (e uma subida forte nos anos seguintes). Nascia o subprime.

A convicção das duas partes sobre o sucesso do negócio - a tal ponto, que nem eram exigidas garantias - tinha por base não só as taxas de juros de referência (que a Reserva Federal de Alan Greenspan manteve baixas durante anos para estimular a economia depois do rebentamento da 'bolha tecnológica' de 2000), mas também a ideia de que o preço das casas só tinha um caminho: subir.

Foi nesse período que se deu a globalização do problema. Os bancos de investimento começaram a comprar esses créditos aos pedaços, embrulhados em complexos produtos derivados. A sede pela rentabilização dos investimentos era grande, não só porque as taxas de juro estavam baixas, mas também devido à forte queda das acções depois da 'bolha' rebentar. Os bancos norte-americanos compraram os créditos e venderam-nos a bancos de todo o mundo. Foi aqui que a regulação do sector financeiro falhou, não acompanhando a inovação dos instrumentos com controlos mais rigorosos.

Durante algum tempo, parecia que todos estavam a ganhar. Até que o sector imobiliário dos EUA deixou de crescer. A intensa construção de casas já não tinha resposta na procura. Os preços deixaram de subir e rapidamente inverteram a escalada. Em paralelo, os juros começaram a subir, acompanhando a recuperação económica. E, no ano passado, começaram a chegar os períodos de juros mais altos dos créditos subprime. Como não havia garantias nem fiadores, milhares de famílias deixaram de poder pagar as prestações. E a única garantia - o valor das casas - estava muito abaixo do valor do crédito.

Dá-se o efeito dominó. As casas ficaram vazias, as empresas do subprime faliram e os créditos "evaporam". Com eles, evaporou-se também o valor dos produtos que enchiam as carteiras dos grandes bancos mundiais. Até agora, a factura já vai nos 200 mil milhões de dólares (ver caixa). Mas os bancos não querem emprestar dinheiro a ninguém, enquanto não sair todo o "ar" que ainda pode estar no sistema. As Euribor sobem, as bolsas afundam e as matérias-primas disparam, a economia desacelera e, agora, o problema da família Smith já passou a ser um problema da família Santos.

domingo, março 02, 2008

Kosovo

A discussão sobre o Kosovo é complicada, mas de forma geral resume-se a um jogo de poder entre os vários intervenientes internacionais, nomeadamente os EUA e a Rússia. Esta é uma entrevista interessante do Público a um professor da Universidade do Porto, Milan Rados Radenovic, que reflete bem a situação político-militar daquela área específica dos Balcãs mas também o estado de espírito da população sérvia, representado no próprio entrevistado.
A ler.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

O Crime do Padre Amaro

Contrariamente ao que o título do post pode indiciar, não é do filme que interessa falar - filme que se resume à mostra repetida do corpo escultural da Soraia Chaves - mas antes da banda sonora, mais particularmente de uma das melhores músicas do filme, Auto de Fé.
A música, um rap sujo bem ao estilo português, conta com Sam the Kid, Carlão e Pac-Man dos Da Weasel. Goste-se ou não do género, o rapper de Chelas tem uma verve assinalável, embora recorrendo frequentemente ao calão; mas a sua imagem de marca é o seu sentido de ritmo incomum no panorama do hip-hop português. E embora Sam the Kid tenha uma qualidade acima da média, considero que é Pac-Man que de melhor dá à música. Senão veja-se a rima de entrada:

Meu Deus como pode ser tão bom este mal que tu me fazes
Que me obriga a ir a jogo sem figuras nem ases


Aqui se vê que, quando Pac-Man está inspirado, é sem dúvida o melhor rapper português. A rima está perfeitamente construída: uma frase simples mas com uma metáfora genial, uma rima rica (verbo com substantivo) e um ritmo pausado e cool. Infelizmente, o resto da letra do músico dos Da Weasel varia de bom a mediano, mas com isto fico a pensar que quando ele conseguir fazer uma música completa a este nível poderá reformar-se, pois já não será necessário provar mais nada a ninguém.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

É bom lembrar...

Não há nenhuma verdade absoluta - e isto é absolutamente verdade.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Isto só visto

"Foi um acidente e ele morreu por culpa do INEM que só chegou 32 minutos depois"
in Diário de Notícias, 2 de Janeiro de 2008

sábado, novembro 24, 2007

Poema de Malaca - Papiá Kristang

Keng teng fortuna ficah na Malaka,
Nang kereh partih bai otru tera.
Pra ki tudu jenti teng amizadi,
Kontu partih logo ficah saudadi.
Ó Malaka, tera di San Francisku,
Nten otru tera ki yo kereh.
Ó Malaka undi teng sempri fresku,
Yo kereh ficah atih moreh.