terça-feira, maio 06, 2008

sexta-feira, abril 25, 2008

segunda-feira, março 24, 2008

Para compreender melhor a crise do Subprime

Sendo eu um leigo em Economia, é sempre bom quando alguém resume as evoluções macroeconómicas actuais de forma simples. E nenhum problema económico é tão actual como a crise do Subprime, que afecta não só as famílias americanas como as famílias do resto do mundo, como explicam no Diário de Notícias:

Como é que a decisão da família Smith de comprar uma casa, no interior dos EUA, com recurso ao crédito, afecta a vida da família Santos, em Lisboa, que acabou de colocar todas as suas poupanças num fundo de acções com taxas de rentabilidade de dois dígitos?

Tudo começou no final da década de 90. As famílias de baixo rendimento nos EUA perceberam que era possível comprar casa pela primeira vez, tendo em conta os baixos preços das habitações, na sequência do boom imobiliário do início da década. Para responder a essa ambição, as empresas de crédito especializado - sem paralelo no sistema financeiro europeu - disponibilizaram empréstimos com juros baixos nos primeiros anos (e uma subida forte nos anos seguintes). Nascia o subprime.

A convicção das duas partes sobre o sucesso do negócio - a tal ponto, que nem eram exigidas garantias - tinha por base não só as taxas de juros de referência (que a Reserva Federal de Alan Greenspan manteve baixas durante anos para estimular a economia depois do rebentamento da 'bolha tecnológica' de 2000), mas também a ideia de que o preço das casas só tinha um caminho: subir.

Foi nesse período que se deu a globalização do problema. Os bancos de investimento começaram a comprar esses créditos aos pedaços, embrulhados em complexos produtos derivados. A sede pela rentabilização dos investimentos era grande, não só porque as taxas de juro estavam baixas, mas também devido à forte queda das acções depois da 'bolha' rebentar. Os bancos norte-americanos compraram os créditos e venderam-nos a bancos de todo o mundo. Foi aqui que a regulação do sector financeiro falhou, não acompanhando a inovação dos instrumentos com controlos mais rigorosos.

Durante algum tempo, parecia que todos estavam a ganhar. Até que o sector imobiliário dos EUA deixou de crescer. A intensa construção de casas já não tinha resposta na procura. Os preços deixaram de subir e rapidamente inverteram a escalada. Em paralelo, os juros começaram a subir, acompanhando a recuperação económica. E, no ano passado, começaram a chegar os períodos de juros mais altos dos créditos subprime. Como não havia garantias nem fiadores, milhares de famílias deixaram de poder pagar as prestações. E a única garantia - o valor das casas - estava muito abaixo do valor do crédito.

Dá-se o efeito dominó. As casas ficaram vazias, as empresas do subprime faliram e os créditos "evaporam". Com eles, evaporou-se também o valor dos produtos que enchiam as carteiras dos grandes bancos mundiais. Até agora, a factura já vai nos 200 mil milhões de dólares (ver caixa). Mas os bancos não querem emprestar dinheiro a ninguém, enquanto não sair todo o "ar" que ainda pode estar no sistema. As Euribor sobem, as bolsas afundam e as matérias-primas disparam, a economia desacelera e, agora, o problema da família Smith já passou a ser um problema da família Santos.

domingo, março 02, 2008

Kosovo

A discussão sobre o Kosovo é complicada, mas de forma geral resume-se a um jogo de poder entre os vários intervenientes internacionais, nomeadamente os EUA e a Rússia. Esta é uma entrevista interessante do Público a um professor da Universidade do Porto, Milan Rados Radenovic, que reflete bem a situação político-militar daquela área específica dos Balcãs mas também o estado de espírito da população sérvia, representado no próprio entrevistado.
A ler.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

O Crime do Padre Amaro

Contrariamente ao que o título do post pode indiciar, não é do filme que interessa falar - filme que se resume à mostra repetida do corpo escultural da Soraia Chaves - mas antes da banda sonora, mais particularmente de uma das melhores músicas do filme, Auto de Fé.
A música, um rap sujo bem ao estilo português, conta com Sam the Kid, Carlão e Pac-Man dos Da Weasel. Goste-se ou não do género, o rapper de Chelas tem uma verve assinalável, embora recorrendo frequentemente ao calão; mas a sua imagem de marca é o seu sentido de ritmo incomum no panorama do hip-hop português. E embora Sam the Kid tenha uma qualidade acima da média, considero que é Pac-Man que de melhor dá à música. Senão veja-se a rima de entrada:

Meu Deus como pode ser tão bom este mal que tu me fazes
Que me obriga a ir a jogo sem figuras nem ases


Aqui se vê que, quando Pac-Man está inspirado, é sem dúvida o melhor rapper português. A rima está perfeitamente construída: uma frase simples mas com uma metáfora genial, uma rima rica (verbo com substantivo) e um ritmo pausado e cool. Infelizmente, o resto da letra do músico dos Da Weasel varia de bom a mediano, mas com isto fico a pensar que quando ele conseguir fazer uma música completa a este nível poderá reformar-se, pois já não será necessário provar mais nada a ninguém.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

É bom lembrar...

Não há nenhuma verdade absoluta - e isto é absolutamente verdade.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Isto só visto

"Foi um acidente e ele morreu por culpa do INEM que só chegou 32 minutos depois"
in Diário de Notícias, 2 de Janeiro de 2008

sábado, novembro 24, 2007

Poema de Malaca - Papiá Kristang

Keng teng fortuna ficah na Malaka,
Nang kereh partih bai otru tera.
Pra ki tudu jenti teng amizadi,
Kontu partih logo ficah saudadi.
Ó Malaka, tera di San Francisku,
Nten otru tera ki yo kereh.
Ó Malaka undi teng sempri fresku,
Yo kereh ficah atih moreh.

terça-feira, julho 24, 2007

A Justiça em Portugal

Como é sabido, o processo Apito Dourado anda em marcha desde há já um tempo e os astutos advogados de defesa não esperaram muito para contestar a acusação formada. Não sou muito versado em direito, e talvez por isso fique no mínimo incomodado que estes processos nunca cheguem a bom porto por nem passarem da fase de instrução. Mas quando as provas são esmagadoramente óbvias, não deveria haver erro processual que resistisse. Infelizmente já se sabe como isto vai acabar: na gaveta.

sexta-feira, julho 21, 2006

Palavras

As palavras, já se sabe, são como as cerejas. Mas algumas são particularmente saborosas. Ultimamente lembrei-me de umas quantas com uma sonoridade única.
"Embevecido" é uma palavra da qual sempre gostei. Particularmente o ditongo "bev", que repetido torna-se cómico. Outra é "biltre". É curta e grossa, com pujança, de lusa herança. O "i" carregado dá a força toda à palavra.
Vou tentar lembrar-me de mais, mas preciso saborear as que aparecem de vez em quando.